terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Agatha Christie (Globo Livros)

Design por Rafael Nobre

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Autor: Agatha Christie
Designer: Rafael Nobre
Editora: Globo Livros
Ano: 2014


O frequentador atento de livrarias deve ter percebido, no último ano, a súbita reformulação gráfica que a obra de Agatha Christie vem recebendo, por diferentes editoras. Não se tratou de nenhum centenário ou data específica, mas de uma reformuação do estate da Grande Dama, que resultou em belíssimas reedições de sua obra por três grandes editoras: Globo Livros, Nova Fronteira e L&PM. Fosse isso uma eleição meu voto seria para as criadas por Rafael Nobre, diretor de arte da Babilônia Cultural. Aqui conversamos tanto com ele quanto com a editora Ana Lima Cecílio, da Globo Livros, responsável por editar Agatha Christie na editora.

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Como explica Ana, havia muitos livros de Christie no mercado brasileiro, distribuídos por diversas editoras, e assim vinha sendo há muitos anos. Havia os direitos de edição em capa dura, os de trade paperback e os de brochura, divididos numa infinidade de editoras. Com a reformulação recente no espólio da autora, redistribuiu-se sua obra no Brasil entre três: Globo Livros, L&PM e Nova Fronteira.

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Uma particularidade é que a autora conta com uma agência internacional muito rigorosa na aplicação de uma série de elementos na capa, que servem para padronizar suas edições. Nesse manual, entregue aos designers, constam regras que devem ser seguidas, como:
• Usar algum elemento da capa na lombada e quarta capa ajudar no reconhecimento do volume quando a capa não está amostra.
A arma do crime, quando é específica deve estar insinuada na capa. Por exemplo: O Assassinato de Roger Ackroyd (adaga),  Os cinco porquinhos (veneno), Os relógios (faca)
• A imagem da capa deve estar conectada com o enredo e dar preferência para objetos e lugares - "nunca contar o final! Mantenha o mistério".
Não focar em rostos, pois os leitores gostam de imaginar como são os personagens.

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"O maior desafio foi não repetir uma solução já criada, pois há muitas edições tanto nacionais como internacionais dos livros da Agatha com as mais distintas abordagens", explica Rafael. "Criamos o design e a ilustração de capa dos volumes".

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Sobre a seleção dos oito títulos que agora constam do seu catálogo, Ana conta que foram escolhidos os que tivessem algum charme especial: "porque bons praticamente todos são. Assim, escolhemos E não sobrou nenhum (o antigo O caso dos dez negrinhos) por ser considerado em diversas listas o melhor livro de suspense de todos os tempos; escolhemos O misterioso caso de Styles por ser o primeiro livro da Agatha (e portanto o primeiro livro com o Poirot); escolhemos Três ratos cegos e outros contos por conter o conto que foi a origem de A ratoeira, a peça que está no Guiness como a mais longeva da história, ainda hoje em cartaz em Londres; escolhemos O assassinato no campo de golfe por ter uma célebre adaptação para o cinema – e assim por diante".

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Ana destaca a capacidade de Rafael Nobre em fazer releituras de clássicos, com um equilíbrio notável entre elementos do senso comum e uma pegada mais pop, mais modernizadora desses elementos (vale lembrar, Nobre é também o responsável pelas edições de clássicos da Zahar, que em breve colocarei aqui no blog também).  "Claro, nós conversamos, e declaramos a razão dessa escolha, mas o Rafael é um profissional admirável, entendeu muito rápido e as capas foram aprovadas de primeira, com louvor – e muita alegria de todas as pessoas da editora".

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"Uma das coisas mais incríveis de editar a Agatha é a questão do público", aponta Ana. "Recebemos muitas respostas de pessoas que leram seus livros quando jovens e querem ler de novo. Além disso, muita gente (eu mesma...) começou a ler, ainda criança, os livros dela. E essa vocação para fazer as pessoas gostarem de ler é o que faz os livros terem grande sucesso entre um público mais jovem – tanto em venda em livraria como em adoção nas escolas, por exemplo. É claro que o suspense, a narrativa fluida, a inteligência provocada são grandes responsáveis por isso. Mas acreditamos também que nossa edição, com novas traduções e as capas do Rafael, contribuem não apenas para certa atualização do público, mas também para agradar leitores mais diversos – em idade, experiência, classe social etc".

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As primeiras edições dos livros de Agatha no Brasil, lembra o Rafael, foram editadas pela antiga Livraria Globo, de Porto Alegre (hoje Globo Livros), numa coleção que ficou conhecida como Coleção Amarela, que só publicava livros de suspense. "As capas sempre tinham elementos na cor amarela. Sugeriram que de alguma forma o novo projeto das capas usassem essa coleção como referência", conta o Rafael, "e a solução que encontramos para conectá-las foi colocar um detalhe em amarelo na ilustração de cada capa, e no pantone do verso de todas as capas".

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"Os oito volumes foram lançados juntos, então a criação foi feita com o material de todos os livros. Inicialmente foi apresentado o layout dos dois primeiros volumes, depois do OK dos editores, mais três capas e depois as últimas três. A aprovação também passou pela agência que cuida do direitos da autora. Todo o processo durou cerca de três meses, desde o primeiro layout a finalização dos arquivos de capa".
Esboço para o título feito à mão de O Assassinato de Roger Ackroyd

Cada capa possui uma tipografia para o título. Seu desenho foi pensado para que esteja integrada com a ilustração, e algumas são variações de tipografias já prontas. "No caso de O assassinato de Roger Ackroyd", explica Rafael, "o título foi desenhado a mão. A fonte do nome da autora é a Core Circus 2D Double da S-Core. Uma fonte de 2013 mas com uma “pegada” retrô. Uma inspiração para a criação das capas foram os belíssimos cartazes Art Deco".

Primeiros esboços para a capa de E não sobrou nenhum
Primeiros esboços para a capa de

Sobre o designer: Rafael Nobre graduou-se em design gráfico pela EBA/UFRJ em 2010 e iniciou sua carreira no design editorial como estagiário no departamento de design do Grupo Editorial Record em 2005. Atualmente, é diretor de arte e sócio da Babilônia Editorial.

4 comentários:

Lúcio Pimentel disse...

Oi Samir,

Muito legal essa postagem. Acompanho o feed do sobrecapas e curto bastante. O projeto Globo Livro ficou excelente.

Eu trabalho na Nova Fronteira e também estamos relançando todos os livros que temos da Agatha com um novo projeto gráfico da Maquinaria Studio, todos em capa dura organizados em boxes. Já saíram 2 boxes e estamos com mais 2 no prelo.

Se quiser dar uma olhada, posso te mandar por email os pdfs. Meu email é luciopimentel@ediouro.com.br

Raphael Rocha disse...

Oi Samir!

Ótimo post, adorei o enfoque no processo
de criação.

Belíssimas capas!

Mônica Lopes disse...

São edições maravilhosas

Mônica Lopes disse...

São edições maravilhosas

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