quinta-feira, 6 de abril de 2017

Ó o Globo!

Design de Elmo Rosa


Ó o Globo!
Autora: Ana Beatriz Manier
Designer: Elmo Rosa
Editora: Valentina






Onipresente nas praias e engarrafamentos do Rio de Janeiro, o biscoito Globo é um símbolo da cidade. Faz parte da memória afetiva e do jeito de ser dos cariocas. Lançado esse ano pela editora Valentina, o livro de Ana Beatiz Manier, mais do que fazer uma biografia do biscoito, reconta a história da família por trás de sua criação. O projeto gráfico é do designer Elmo Rosa, que se diferencia também por vir em dois "sabores": as cores da embalagem de biscoito Globo salgado e doce. Abaixo, conversei com ele um pouco sobre o processo:


Como foi o processo de criação do projeto desse livro?
Inicialmente, pensava em círculos e formas abstratas concêntricas, por conta do formato de rosquinha do biscoito. Em paralelo, trabalhava em leiautes que fizessem remissão à embalagem. Também testava um título feito da distorção das formas das letras do nome do biscoito na embalagem, colocando-as em perspectiva, para parecer que alguém realmente gritava ‘Ó, o Globo!’. Desenvolvia essas ideias em separado, em leiautes diferentes.



Tudo se encaixou quando, em uma pesquisa na internet, topei com a fotografia de alguém segurando um biscoito Globo em Ipanema, enquadrando o Morro Dois Irmãos no furo da rosquinha. Essa imagem unificou esses conceitos em um único leiaute na minha cabeça.



E como surgiu a ideia de fazer duas capas, a "doce" e a "salgada"? 
Tive dificuldade em combinar de forma harmoniosa o verde com o vermelho, referentes às embalagens dos sabores doce e salgado (além do amarelo e branco, cores comuns às duas). Tudo parecia funcionar apenas ou em verde ou em vermelho. Mas prescindir de uma dessas cores significaria optar por um único sabor, o que traía algo inerente ao biscoito. Então sugeri que a tiragem das capas fosse dividida em duas: doce e salgada. Assim, o leitor decidiria pelo sabor de sua preferência, como ocorre com o biscoito.

Houve alguma particularidade específica que surgiu nesse processo?
Comecei a trabalhar no projeto logo após meu desligamento do Comitê Rio 2016. Lá, havia investigado e desenvolvido à exaustão conceitos como ‘O que é ser carioca?’, ‘Qual é o jeito carioca de ser?’, ‘O que é proprietário do Rio de janeiro?’ etc. Isso me ajudou bastante no trabalho com essa capa.


E você comeu muito biscoito Globo como parte do processo criativo?
Rsrsrs. Comi algumas vezes, mas não especificamente como parte do processo criativo. Conheço de cor o sabor desse biscoito.


Elmo Rosa é um designer editorial especializado em confecção de livros, e ama esse ofício.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Neuromancer


Neuromancer, o clássico ciberpunk de William Gibson, já havia ganho uma luxuosa edição especial da Aleph anos atrás, com design de Pedro Inoue (veja mais aqui). Agora, o livro ganha uma edição brochura, também com design de Inoue, e ilustração de Josan Gonzales.



quarta-feira, 22 de março de 2017

Brasileiros no Exterior (12)

Capas de livros de autores brasileiros contemporânos sendo lançadas no exterior recentemente.

As Fantasias Eletivas, de Carlos Henrique Schroeder,
edição espanhola pela Maresia Libros

Mãos de Cavalo, de Daniel Galera,
edição inglesa hardcover pela Penguin
Mãos de Cavalo, de Daniel Galera,
edição hardcover norte-americana, pela Penguin USA.

Dias Perfeitos, de Raphael Montes,
edição softcover norte-americana pela Penguin
O Irmão Alemão, de Chico Buarque,
edição hardcover norte-americana pela Farrar, Straus and Giroux


terça-feira, 21 de março de 2017

Mais clássicos Zahar

Três novas capas de clássicos lançados pela editora Zahar, todas criadas por Rafael Nobre, da Babilônia Cultura Editorial.





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Um convite


Um convite aos leitores desse blog: na próxima segunda-feira, dia 20 de fevereiro, estarei autografando em São Paulo meu novo livro, ˜Homens Elegantes˜, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, a partir das 19h.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

TAG (edições exclusivas)

Vitória
Autor: Joseph Conrad
Ilustração da capa: Tiago Berao
Projeto gráfico e ilustrações do miolo: Samir Machado de Machado
Editora: TAG / Dublinense
Acabamento: capa dura e verniz



O Vermelho e o Negro
Autor: Stendhal
Ilustração: Tiago Berao
Design: Samir Machado de Machado
Editora: TAG/Dublinense

Acabamento: capa dura


Ilustração original de Tiago Berao para a capa de "Vitória" (clique para ampliar)
A TAG Experiências Literárias é uma nova forma dentro do conceito de clube do livro, onde mediante o pagamento de um valor mensal, o assinante recebe todo mês um kit, com um livro selecionado por um curador, uma revista literária e brindes diversos. Os curadores mudam mensalmente, entre figuras conhecidas da cena literária, de escritores a pesquisadores e críticos, que indicam uma de suas leituras mais recomendadas.
Ilustração original de Tiago Berao para a capa de "O Vermelho e o Negro" (clique para ampliar)
Em 2016, contudo, quando percebeu-se que algumas das obras indicadas não possuíam traduções recentes para o português (ou, no caso de O Vermelho e o Negro, a edição mais recente era da Cosac Naify, que acabara de encerrar suas atividades), a TAG aliou-se à editora Dublinense para produzir edições próprias, exclusivas.


Detalhe das guardas de O Vermelho e o Negro
Os livros exclusivos foram, justamente O Vermelho e o Negro, de Stendhal, ao que se juntou o Vitória, de Joseph Conrad, que estava fora do mercado brasileiro há mais de sessenta anos. A criação de um modelo para o projeto gráfico das duas edições coube a mim, com ilustrações produzidas pelo artista plástico Tiago Berao.


Detalhe da lombada
Como as capas irão variar bastante, para não engessar os projetos determinou-se como únicos elementos fixos a "tag" de lombada e o selo das editoras na contracapa, partindo daí para que a arte de cada capa seja criada pensando-se nas particularidades de cada obra.

Para a capa de Vitória, por exemplo, onde a a maior parte da trama se passa numa ilha no leste asiático, imaginou-se uma visão da ilha ao sol poente, onde o lettering surge de modo discreto, junto da linha do horizonte, como se aguardasse o leitor na praia.

Para as guardas, palmeiras impressas num tom azul marinho dão o ar sombrio e solitário da ilha à noite.

Abaixo, o projeto gráfico interno de Vitória.










segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Star Wars pela Aleph

Relançados pela editora Aleph no Brasil desde 2014, as edições brasileiras dos livros de universo expandido e spin-off de Star Wars ganharam por aqui capas novas, com ilustrações produzidas especialmente para as edições brasileiras por diversos artistas, como Marc Simonetti, Chris McGrath, Dave Palumbo e o estúdio Two Dots (responsável pela arte de capa de jogos como Assassins's Creed e FarCry, e que já havia produzido a ilustração para a capa da novelização de Alien), .

Arte original criada pelo estúdio Two Dots (clique para ampliar)
Com a venda de Star Wars para a Disney, todo o antigo universo expandido de jogos e livros envolvendo a série de filmes deixou de ser considerado para fins de cronologia. Mas algumas obras se tornaram tão populares que não poderiam simplesmente ser ignoradas, e assim passaram a ser classificadas sobre o selo Legends, que abraça o universo expandido pré-Disney.

Comparação entre a edição americana (esquerda) e brasileira (direita) de Herdeiro do Jedi, de Kevin Hearne
Sob essse selo, inclui-se títulos como os livros da Trilogia Thrawn, de Timothy Zahn (que ganhou arte de Marc Simonetti), ou Sombras do Império, de Steve Perry (arte de Mark Molnar), enquanto que os livros novos como Herdeiros do Jedi (Two Dotsnão possuem o selo, indicando que fazem parte da nova cronologia.

Arte das edições brasileiras da Trilogia Thrawn, feitas por Marc Simonetti (na parte superior). com as capas americanas (na parte inferior)  (clique para ampliar).
Arte de Marc Simonetti para o box com da trilogia, pela Aleph.
A qualidade das ilustrações das capas brasileiras produzidas pela Aleph impressionaram até os autores das edições originais. Troy Dennings, autor de Provação, a considerou como "talvez a melhor capa que já tive num livro meu". Já Kevin Hearne, autor de Herdeiros do Jedi, teve uma reação um pouco mais histérica:

Artes de Mark Molnar (Sombras do Império), Chris McGrath (Kenobi) e Dave Palumbo (Han Solo) para as edições brasileiras, em comparação com as edições originais americanas (embaixo). Clique para ampliar.
A diagramação interna também ganhou um novo tratamento, no trabalho de Guilherme Xavier, do estúdio Desenho Editorial, que criou páginas de abertura que emulam a transição cinematográfica dos filmes. Segund o próprio, "tanto os abres de capítulo quando a abertura do livro são dois pontos essenciais para comunicar ao leitor a identidade que você quer passar, Tentamos nos livros de STAR WARS alinhar o design ao texto e passar o sentimento de você estar naquele universo. Tanto a abertura com a explosão quando o destróier calmamente no espaço passa aos leitores esse sentimento, remetendo inclusive a trilha sonora do John Williams".

Abaixo, a "sequência de abertura" de Herdeiros do Império.








"Foi uma forma de aliar também um produto aparentemente mais luxuoso com um custo baixo de produção", diz Xavier. "Tivemos essa ideia das duplas com o trecho inicial do capítulo para os livros do Timothy Zahn porque seus primeiro parágrafos eram sempre incríveis e faziam com que o leitor quisesse ler mais".

Abaixo, as páginas de abertura de Provação.






"Para os livros seguintes acabamos adaptando essa identidade do miolo para que dialogasse com cada um, seja as ilustrações, a necessidade de aberturas diferenciadas e mesmo o fundo da 'explosão'."

Guilherme Xavier é diretor de arte há mais de 15 anos, fundou o estúdio Desenho Editorial em 2006 e desde então desenvolve capas e projetos gráficos para editoras.

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